Outro dia vi uma notícia de que os parentes das vítimas da queda do vôo 447 (nem precisa de explicação, graças à exploração da mídia) de que o presidente Lula "não deu a mínima para ninguém" e que "O que é importante para ele é fazer viagens, e viagens e viagens. Eu confiei muito nele, não confio nem um pinguinho mais". Em outra afirmação, um outro parente diz: "nós vimos aí na Europa, o rei da Espanha foi de encontro às famílias dos espanhóis vitimados, o presidente Sarkozy rapidamente já foi direto ao aeroporto, em Paris. A gente entende que o nosso presidente estava em viagem oficial à América Latina, mas estamos esperando receber a solidariedade dele, além de ações efetivas".
Desculpem-me o tom aparentemente cru da minha declaração, mas eu acho que não vou me arrepender com o que eu vou dizer. Do presidente e dos seus capangas, ou melhor, dos seus ministros e assessores, espero apenas ações efetivas. E pra falar a verdade, nem espero tanto, mas se elas forem de fato efetivas e em tempo hábil, será uma feliz surpresa e terei a sensação de que estão fazendo juz ao dinheiro público que gastam - e que nós pagamos.
"Por que ele está sendo tão cruel?" alguém pode querer saber, já que pediatras têm que ser legais o tempo todo...
De acordo com a publicação oficial Saúde Brasil 2007, só de acidentes de trânsito, em 2006, tivemos, no Brasil, 35.155 mortes por violência no trânsito - (número ainda menor que as mortes por homicídio). Por outro lado, de acordo com a ICAO (International Civil Aviaton Organization), foram 439 mortes em acidentes aéreos em 2008 NO MUNDO TODO.
É claro que mortes não devem nunca ser desprezadas, mas quando alguém fala que "deveria haver um pouquinho mais de humanidade. A dor que eu estou sentindo eu não desejo para ninguém", para dizer que o governo deveria parar suas atividades para dar atenção a famílias dos 228 passgeiros perdidos na queda de um vôo, é no mínimo egoísta. E acho inclusive que o deslocamento de um ministro e de um vice-presidente um exagero. Quem parou suas atividades públicas ou privadas para prestar solidariedade às famílias das 35.155 vítimas do trânsito brasileiro? E às vítimas de homicídio? Quem reclamou da falta de humanidade? A questão não é humanidade, mas mídia. Porque um presidente ou um rei vão a público prestar solidariedade? Por que não o fazem discretamente, em privado? Porque dá notícia, dá capa de jornal, e dá "Ibope".
QUE SE QUEIRA ATENDIMENTO E HUMANIDADE, TUDO BEM, MAS CHORAMINGO, NÃO ACEITO NEM DOS MEUS FILHOS.
Tem coisa mais importante para se fazer e para se ler em jornais...
Um abraço, solidário com a sua dor.
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