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quinta-feira, 12 de novembro de 2009

Daqui a 17 anos...

Bem, seu filho nasceu, e você faz mil planos. O mundo será dele, inteiro pela frente. Todos os olhos, recursos e atenções estarão voltadas para a nova geração de brasileiros - mais preparados, mais estudados, mais ambiciosos, mais éticos, mais saudáveis.

No entanto, lendo uma matéria num portal de negócios (sim, abordagens diferentes enriquecem as nossas abordagens - nem sempre ou somente os bolsos), me deparei com algo que eu acho que interessa a todos nós.

Em 17 anos, eu terei 50 anos. Meus filhos terão 24, 21 e 19 anos. Estarão num momento muito intenso nas suas novas vidas de adultos: o início. Eu estarei finalmente (quem sabe?) maduro (a um passo de apodrecer), mas estarei de olhos abertos e sorriso largo, e cabelos em pé, vendo meus filhos plantarem no terreno que eu e minha esposa teremos passado anos aplainando. Eles semearão o que quiserem colher.

Muito bem, o que nós talvez não nos demos conta ainda é que nós, deixaremos a balança mais pesada no nosso lado, contra o deles. Faremos parte do ápice do processo de envelhecimento do povo brasileiro (talvez de amadurecimento), e isto tem impactos importantíssimos para a sobrevivência da economia, da moradia, da oferta de saúde, das políticas públicas, nas nossas relações inter- e intra-geracionais, talvez inclusive nas escolhas profissionais das nossas crianças.

Resolvi colar a matéria aqui, e espero que ela possa nos inspirar num futuro equilibrado, para um ponto de virada mais suave e sustentável.

Imagine só a cena: você tem um sobrinho que precisa de um leito de UTI, e pode bancar hospital particular mesmo, mas não tem leito, porque está tudo ocupado com pessoas com mais de 60 anos. O que vai acontecer? Você vai pensar –ou dizer em voz alta, dependendo de seu autocontrole: "Meu sobrinho tem a vida inteira pela frente, esse velho já viveu a dele!" É o que basta. Está dado o sinal de uma guerra civil emergindo, no caso, guerra intergeracional. Infelizmente há um risco muito grande de que isso aconteça no Brasil nos próximos 17 anos.

Nós, que estamos acostumados a ser um país jovem, vamos "envelhecer de virada" nesse período. Quem faz o alerta numa entrevista à HSM Management é o Alexandre Kalache, médico gerontologista carioca que chefiou o Programa de Envelhecimento e Saúde da Organização Mundial da Saúde (OMS) por muito tempo e foi professor de Oxford, e hoje é conselheiro do presidente da New York Academy of Medicine, além de embaixador global da organização não governamental HelpAge. Segundo Kalache, sem um planejamento que tem de começar já (para não dizer "anos atrás"), na hora H vão acabar desviando recursos dos programas de saúde da mulher, da criança e do trabalhador para tratar dos idosos. E a tensão social decorrente dessa disputa pode ser gravíssima.

Os números projetados assustam: nestes 17 anos, o Brasil deve dobrar a proporção de idosos –de 9% para 18% da população total. Em 2025, serão 32 milhões maiores de 60 anos e, em 2050, 70 milhões. Para comparar, os idosos da França dobraram de 7% para 14% do total em 115 anos, e a França já era um país rico – que continuou rico. Ou seja, a França teve tempo e recursos para implantar políticas específicas de enfrentamento do problema. (E ainda assim morreram 15 mil velhinhos lá naquela onda de calor uns anos atrás porque não abriam a janela.)

Alguém aposta nesse planejamento no Brasil? O assunto nem em pauta está…

Fato é que essa virada etária vai influir muito no consumo, na produção, nas relações de trabalho, no marketing e na estratégia das empresas. Mesmo que o governo não pense, melhor a gente pensar nisso, tanto como oportunidade quanto como ameaça.

Boa matéria. Parabéns Adriana.

Pense... e um abraço.

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