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quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

Feliz Natal.

Tirei umas pequenas férias do blog, porque estava passando por uma crise de relevância internética, sem falar numa necessidade danada de trabalhar. Mas, voltei para desejar Feliz Natal.

Mas este filisnatau é um pouquinho carregado na ironia. Por que? Tem gente que diz que agosto é o mês do desgosto... eu não acho. Pra mim, então, dezembro é o mês do desterro. Por que? Humpf... parece criança de 3 anos...

Bem, tenho uma lista razoável de razões. Assim como a Páscoa, esta comemoração perdeu sua identidade. E não é só por questões religiosas. Vamos a algumas delas:
  1. Pelo que indicam os estudos, não poderia ter acontecido em dezembro, mas provavelmente entre março e outubro;
  2. O ícone do natal não é um menino fazendo aniversário, mas um idoso obeso que invade a casa das pessoas na calada da noite sem aviso nem permissão;
  3. Nesta data que poderia representar humildade e aconchego familiar, é tomada de desespero consumista e angústia de pais (por não conseguirem satisfazer os desejos dos seus filhos) e das crianças (que não conseguem ter desejos suficientes que lhes traga alguma paz);
  4. Todo ano meus filhos querem saber se o Papai Noel é avô de Jesus;
Isso pra começar. Mas eu não vim aqui para reclamar nem para sermôes. Sou amigo do Papai Noel (ele até mandou meus filhos se comportarem, se quisessem ganhar presentes, lá no Shopping). Vim aqui porque há algo acontecendo que vai passar despercebido por muita gente. Antes, gostaria de convidar você a assistir este pequeno vídeo de 10 minutos, produzido por encomenda do Instituto Alana:



Está acontecendo em Brasília a 1a Confecom (Conferência Nacional de Comunicação), onde está se tentando discutir aspectos, entre outros, regulatórios sobre a mídia. Regular mídia é polêmico, mas algumas coisas têm que ser aventadas como a propaganda infantil (acho que você já entendeu esta), a propaganda de bebidas alcoólicas, a manutenção da proibição da propaganda de cigarros, entre outras medidas para o bem comum.

Portanto, pelo bem comum, não esteja alheio a estes acontecimentos. Eu convido você a participar do Manifesto pelo fim da publicidade e da comunicação mercadológica dirigida ao público infantil. Se não quer assinar, pelo menos informe-se. Já que Copenhaguen não vai dar em nada...

Uma regulação eficaz e equilibrada da propaganda voltada para nossas crianças poderia:
  1. Diminuir a tensão social e a angústia insaciável de se consumir por impulso.
  2. Permitir o desenvolvimento de uma geração mais voltada para pessoas que para coisas.
  3. Diminuir a opressão sobre as camadas mais humildes  e pobres da sociedade pela exclusão da falta de posse de objetos de marcas.
  4. Proteger nossos bens de nossos filhos.
Não pense que eu sou um xiita doido. Meus filhos conhecem a história do São Nicolau, sabem que o natal é sobre o aniversário de uma outra criança que não eles, vão ao shopping e vêem as decorações das vitrines e das casas, montam árvore de natal e presépio...

Como cantou o Renato Russo... "nos deram espelhos, e vimos um mundo doente".

Então, porque desterro? Porque tiraram o tapete do menino Jesus e colocaram uma meia na janela.

Um abraço, e Feliz Natal.

Leia também: Crianças vazias.

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